sexta-feira, 27 de abril de 2012

COMUNIDADE MÍSTICA


“Igreja não satisfaz expectativas, celebra mistérios.

Carlo Maria Martini

Lendo a frase acima pus-me a refletir: a que se parece a igreja? Ainda que possa soar como uma pergunta simples, contudo, é de suma importância para que se defina o que ela deve ser e fazer. Nos dias atuais a igreja tem acompanhado o total desfiguramento de sua identidade. A bem da verdade a Noiva de tão ilustre Noivo deixou de ser uma realidade viva para se tornar em algo manipulável segundo os desejos descarados e levianos de certos homens e mulheres.
Há os que enxergam a igreja como um grande negócio. E diga-se de passagem, um negócio muito lucrativo que tem levantado grandes cifras em dinheiro para aqueles que sem escrúpulo algum acabam por manipular a fé frágil e bem intencionada de um povo incauto e sedento por felicidade.  Nestas mega empresas da religião a fé caracteriza-se pelo mero desejo de se obter a bênção; o evangelho é apresentado como um produto a ser adquirido; o líder à frente um hábil comerciante a vender o seu “peixe”; e Jesus um mero coadjuvante subalterno pronto a nos conceder o que pedimos – ou melhor – exigimos e/ou determinamos a ele.
Não se deve estranhar que os locais de reunião de negócios destas igrejas estejam abarrotados de “fiéis”, pois, as mesmas acabam por alimentar um dos instintos mais adâmicos do ser humano: o de ser deus. “Sereis como deuses” é a nova/velha sedução da serpente por detrás das ofertas comerciais destas verdadeiras megaempresas travestidas de comunidades de fé.
Nestes lugares não há liberdade, pois, as pessoas se vêem aprisionadas por pelo menos duas realidades. Primeiro pelo desejo insaciável por bênçãos. Quanto mais se recebe mais se deseja. Assim, estas igrejas tornaram-se em genuínos fastfoods da religião: é só dar a oferta e levar a bênção para casa. E em segundo lugar por um código de conduta que rege a tida igreja/denominação. Desta forma o pastor atua como um gerente a controlar a vida e os passos de seus fiéis/clientes. Os demais membros se vêm como subgerentes prontos a esquadrinhar a vida do irmão e a amaldiçoá-lo em nome de Deus se o mesmo quebrar tal código ou pelo menos questioná-lo.
É certo que tal fenomenologia não apresenta-se apenas nos arraiais de igrejas como as que temos descrito aqui. Parece-nos que se trata de algo generalizado, restando-nos poucas excessões.
Não obstante a tudo isso permanece o chamado divino para que a igreja se apresente como um Comunidade Mística. Mística porque sua membresia é formada por místicos e não por gerentes/clientes. Entenda-se aqui místico no sentido da tradição mística cristã: alguém que experimenta Deus no caminho do amor avassalador, do discipulado e do silêncio interior.  E como isso se dá?
Primeiramente quando a igreja se conscientiza do mistério de sua união ao Cristo vivo. Jesus ressurreto atuando no meio do seu povo: eis o grande mistério da salvação. Quando contemplamos e meditamos em textos como de João 15, somos assombrados da cabeça aos pés com a verdade de que o Cristo vivo e ressurreto não apenas deseja um relacionamento de intimidade conosco. O que  Ele busca, o alvo de sua obra expiatória no Calvário é a união, a simbiose espiritual conosco, de tal forma que afirmemos: “Já não sou eu quem vive, mas, Cristo vive em mim”. A igreja de uma forma mística, misteriosa, que a mente nunca compreenderá plenamente, pelo meno desse lado da eternidade, encontra-se mergulhada e imbuída pela presença vitalizadora de Jesus, o Cristo.
Em segundo, tal união misticamente fornece à igreja a possibilidade deexperimentar a pessoa de Jesus de forma real e concretaA igreja sempre deve ser um agrupamento orgânico de pessoas que não apenas creiam pela fé, mas, que também como resultado da mesma, experimente a pessoa doce e bendita do glorioso Verbo de Deus.  Isso porque é bem diferente saber que Jesus está em nosso meio por uma questão de mero assentimento intelectual, e outra saber disso porque Ele nos tocou. Aqui reside o poder da  mística cristã, a verdadeira, embasada nas Escrituras: a experiência tanto individual como comunitária com Deus.  Quando olhamos as Escrituras percebemos que os primeiros cristãos tanto na sua forma individual quanto coletiva  não apenas criam que Jesus estava com eles, mas, sabiam disso porque viam,ouviam e sentiam. Não estou aqui defendendo um Cristianismo que precise “ver” para crer. Não! Contudo, uma vida cristã que nunca experimenta de forma concreta a presença viva e pessoal de Jesus, biblicamente, parece-nos estranho.
Em terceiro lugar, como resultado dessa experiência mística com Jesus, a igreja torna-se – ou pelo menos deveria ser assim – num local de vidas transformadas e formadas à semelhança de Cristo. Estamos falando da mística cristã como uma experiência maciça, concreta com  a realidade espiritual. Sendo assim precisamos estabelecer uma via, um caminho igualmente prático que conduza-nos a esse objetivo. Nos séculos de cristianismo homens e mulheres com fome e sede de Deus extraíram das Escrituras práticas espirituais que tinham como propósito levar o devoto a uma experiência com a presença de Deus. Tais práticas foram testadas, experimentadas e comprovadas como eficazes por muitos. Disciplinas espirituais como silênio, solitude e meditação bíblica formaram cristãos de ambas as tradições de confissão cristã produzindo homens e mulheres que refletiam em seu viver diário a vida do próprio Jesus. De uns tempos para cá temos visto o que poderíamos chamar de um verdadeiro avivamento místico no seio da igreja. Deus tem despertado e levantado uma gama de homens e mulheres que têm redescoberto o caminho contemplativo como via de transformação do caráter humano. Isso de certa forma enche o meu coração de esperanças de que o próprio Deus está removendo Seu povo de uma experiência cristã epidérmica, superficial para uma profunda e espiritualmente formadora. Queira Deus que muitos outros sejam contagiados por esse mover divino de renovação da igreja. Acredito piamente que essa é a única forma de estancarmos a avalanche de desvios a que a igreja se entregou nos últimos tempos.
Voltando á pergunta inicial: a que se parece a igreja? Num sentido secundário ela tem que ter a aparência de uma comunidade. Uma comunidade de pessoas salvas que vivem suas vidas em novidade. Ela deve transparecer ao mundo o amor de Jesus vivido no amor de uns para com os outros.
No entanto, de forma mais profunda a igreja deve  se parecer com Jesus. E isso se dá única e exclusivamente pela via mística através da união com Cristo que nos possibilita experimentarmos de forma pessoal e concreta a Presença, o que nos leva à transformação do caráter por meio das disciplinas espirituais tanto no âmbito individual quanto coletivo.
Que cada um dos filhos de Deus decidam tornar-se verdadeiros místicos e não gerentes de franquias de um comércio religioso que só desonra o nome Querido de Jesus.

domingo, 18 de março de 2012

1º VIDA VITORIOSA

Teremos nosso primeiro final de semana de treinamento do Vida Vitoriosa junto com nossos queridos irmãos da Igreja Batista em Células de Papucaia.

Será um tempo de reflexão e confronto de nossas fortalezas espirituais. Sabe, aquelas áreas que mesmo após nossa conversão ainda não se encontram debaixo do senhorio de Cristo? Elas serão ministradas á luz da Palavra de Deus, com muita oração e compartilhamento de jugo. Vão ser dias inesquecíveis, um verdadeiro divisor de águas em nossa caminhada cristã. 
Segue algumas informações importantes acerca do encontro:

LOCAL - Pousada Charitas - Papucaia - Cachoeiras de Macacu - RJ.

DATA - 25, 26 e 27 de Maio.

INVESTIMENTO - R$ 70,00.

VAGAS - temos agora apenas 5 vagas.

INSCRIÇÃO - até o dia 20/05.

O QUE ESTÁ INCLUÍDO NO VALOR DE R$ 70,00:
  • Sexta-feira - jantar.
  • Sábado - café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar.
  • Domingo - café e almoço.

Interessado(a) em participar procurar urgentemente o pr. Felipe Maia.